Narceja : Estou no Twitter

Sou o sonho de alguém que veio ao mundo para me ver e nunca na vida me encontrou!

Textos


Por Narceja®
 
     Era um casebre na beira do rio ao lado da rodovia. Todos os dias Janaíno saia para trabalhar na construção de um armazém no centro da pequena cidade de Safopóles, deixando sua mulher Tereza e sua filha Narceja em casa. Ambas muito safadas e dissimuladas para a categoria: Mãe e filha.
 
      Um exemplo de mãe, Tereza não era. Todos os dias depois do marido sair para o trabalho, a boa mãe vendia o corpo na pista.”Por dinheiro” justificava ela para si mesma!Com o tempo, seu sexo tornara-se o seu ganha pão diário.

     Acreditava em seu potencial vaginal como um dom divino. Cuidava bem dela, penteava, aparava, deixava-a bem cheirosa para os compradores. Um pedaço de carne que era mastigado pelos caminhoneiros e demais motoristas e cuspido depois de alguns trocados faturados.”Lavou, está limpa!” Já dizia para si mesma.     
 
     Com os anos a prática de dar seu canal vaginal por trocados, 10 reais com camisinha, tornou-se mais que um vício, uma necessidade diária incontrolável. Sentia calafrios nos finais de semana, quando não podia seguir até a beira da pista e oferecer o que era seu de direito. Passava mal a noite, sentia-se entupida, tapada, cimentada por entre as pernas. Precisava sentir-se aberta, livre e com um grande canal aberto dentro de si.
 
     O marido nunca percebera o que se passava com o sexo de Tereza, que uma hora ou outra, aparecia vermelha e com corrimento branco e de mau cheiro característico.

     A boa esposa de Janaíno gostava de sentir o canal cheio de creme branco e denso. Após o cliente se satisfazerem e deixarem-na cheia, ela cultivava o estranho hábito de não se limpar depois. Gostava de sentir-se bem cheia, satisfeita, empanturrada de homem. Apreciava a melequeira que ficava por entre suas pernas. O cheiro forte de seus clientes e as piscadinhas que sua vagina dava ao lembrar-se da relação recente.
 
     A filha, Narceja, não deu outra. Foi pelo menos caminho da mãe quando descobriu a felicidade no sexo. Ainda era adolescente quando deixou-se ser carne para um namoradinho barrigudo da escola. Algum tempo depois, suspeitou de sua mãe e a seguiu um dia, descobrindo-a assim, numa Boleia de caminhão estacionada na beira da estrada, tendo um homem cravado por entre as suas pernas e ouvindo os gemidos felizes de sua progenitora.
 
     As duas nunca falaram sobre. Embora soubesse que não seria diferente o destino da filha, Tereza mantinha-se mãe. E o silêncio entre as duas reinou. Como em uma boa família.

     Depois do ocorrido, a filha, não perdeu muito tempo e passou a frequentar as boleias de caminhões, recebendo sempre um pouco mais que a mãe e acabando com a clientela da mesma. Narceja cobrava caro, 25 reais com camisinha, 40 sem. E valia o preço! Os compradores de carne nova pagavam sem reclamarem. Muitas vezes, a menina chegava em casa de pernas bambas mas com a bolsa cheira de dinheiro.

     Quando descobriu como a filha juntava aquele dinheiro todo, Tereza sentiu uma ponta de inveja por ter perdido a clientela para a menina. Mas conformou-se, afinal era uma família. Com poucos clientes, a boa mãe, já chegando perto dos 50, resolveu um dia se aposentar e deixar que a filha trabalhasse sozinha. Janaíno continuava como um burro de carga, levando tijolos, fazendo cimento na obra e ganhando uma mixaria. Nascera homem, coitado, pensava Tereza. Não tinha nenhum dom por entre as pernas. Já a filha Narceja nascera abençoada, com um milagre entre as pernas, logo reformou a casa dos pais e comprou um carrinho para a família. Os negócios iam de vento em popa.

     Até que uma tragédia aconteceu. Narceja se apaixonou por Zé da Ruela, um matuto da roça dono do barzinho mais pé de chinelo de Safopóles.

     Engravidou e virou mãe aos 24 anos. Com o nascimento da filha deixou o bom trabalho por alguns anos de lado, enquanto o amor, que tem data prévia para acabar, findou. Voltando assim ao trabalho, longe dos olhos do marido pinguço. “Uma melhor vida para minha filha”, justificava a mesma.
Alguns anos no ofício duro de vender sua carne aos caminhoneiros e visitantes da cidade, Narceja foi descoberta pela filha de boca cheia, atrás do muro do quintal de casa.

     E o silêncio mais uma vez reinou na família. Tereza e Narceja, mãe e filha, sabiam desde já qual seria o destino da pequena menina... Como boa família que eram, permaneceriam unidas pela força do amor... aos homens.
 


Narceja

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Conto De Narceja). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.


Publicado em 06/10/2009 às 15h27


Comentários

Crie o seu próprio Site do Escritor no Recanto das Letras